A Necessidade da Reforma Íntima

 

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Para nós espíritas nada se torna mais constante dilema do que a constante lembrança da necessidade da reforma íntima. Mas afinal o que seria a reforma íntima? estamos realmente entendendo o que precisamos e como precisamos realizar este importante passo para nossa evolução?

Os espíritos nos falam sobre a importância do homem encontrar nele mesmo suas má condutas e suas tendências inferiores para nelas trabalhar a fim de colher os frutos de sua boa vontade e sua disciplina ante as provações e à responsabilidade enquanto espírito encarnado de progredir moralmente. Com isso, temos então a missão de todas as vidas. A evolução espiritual demanda caridade para com as imperfeições alheias, o que talvez seja o ato mais difícil atualmente. Vivemos uma época em que erros não são perdoados e mágoas são eternizadas.

Não temos nenhuma responsabilidade sobre como os outros lidam com alguma situação mas temos o DEVER de lidar com esta situação da melhor maneira possível. Sendo caridosos e buscando, na dúvida, o nosso maior exemplo de homem de bem que seria Jesus Cristo. Se pensarmos como o Mestre agiria na situação que estamos nos deparando a resposta pode ser a solução que tanto buscamos.

“Eu permito a todos serem como quiserem, e a mim como devo ser.”

(Francisco Cândido Xavier)

A reforma íntima não é uma conquista que se forja da noite para o dia. Demanda tempo, boa vontade, disciplina e esforço incessante de nossa parte. Muita resignação e luta contra nossas próprias tendencias inferiores e principalmente estar vigilante para seus defeitos e ter foco na tarefa de se melhorar. Ao outro cabe somente a ele mesmo buscar a própria reforma íntima, a nós, a responsabilidade é somente sobre nossas atitudes.

“Lembre-se de que você mesmo é o melhor secretário de sua tarefa, o mais eficiente propagandista de seus ideais, a mais clara demonstração de seus princípios, o mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça e a mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos outros. Não se esqueça, igualmente, de que o maior inimigo de suas realizações mais nobres, a completa ou incompleta negação do idealismo sublime que você apregoa, a nota discordante da sinfonia do bem que pretende executar, o arquiteto de suas aflições e o destruidor de suas oportunidades de elevação – é você mesmo.”

(Francisco Cândido Xavier)

Como espíritas ainda temos uma vantagem: Esclarecimento. Sabemos o porquê e o como de tudo que vivenciamos o que nos facilita ter o entendimento e a resignação necessárias em tantos casos de nossa vida cotidiana. Podemos entender as antipatias naturais e o atraso alheio, a grosseria e a brutalidade de outros irmãos que podem estar vivendo situações que não possuem talvez o melhor equilíbrio necessário para vivencia-las. Sabemos reconhecer em nós mesmos também nossas imperfeições e reconhecendo-as podemos trabalhar de forma mais proativa em corrigi-las. Temos tanta informação trazida pelos espíritos bem feitores que fica difícil – apesar da nossa natureza imperfeita – querer responsabilizar outrem por nossos próprios fracassos e deméritos.

Sendo assim, busquemos irmãos esclarecer-nos de nossos defeitos, entende-los e corrigi-los, sendo sempre o melhor que pudermos ser para que nossa evolução espiritual se dê o mais rápido e o melhor possível. Quanto antes nós entendermos a necessidade de nos melhorar para que assim o mundo melhore em seguida, antes o planeta terra será um mundo onde reinará a paz do reino dos céus!

Agora deixemos que nosso amado Chico nos dê 20 pequenos passos para a reforma íntima:

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20 exercícios para a reforma íntima

1. Executar alegremente as próprias obrigações.
2. Silenciar diante da ofensa.
3. Esquecer o favor prestado.
4. Exonerar os amigos de qualquer gentileza para conosco.
5. Emudecer a nossa agressividade.
6. Não condenar as opiniões que divergem da nossa.
7. Abolir qualquer pergunta maliciosa ou desnecessária.
8. Repetir informações e ensinamentos sem qualquer
azedume.
9. Treinar a paciência constante.
10. Ouvir fraternalmente as mágoas dos companheiros sem
biografar nossas dores.
11. Buscar sem afetação o meio de ser mais útil.
12. Desculpar sem desculpar-se.
13. Não dizer mal de ninguém.
14. Buscar a melhor parte das pessoas que nos comungam a experiência.
15. Alegrar-se com a alegria dos outros.
16. Não aborrecer quem trabalha.
17. Ajudar espontaneamente.
18. Respeitar o serviço alheio.
19. Reduzir os problemas particulares.
20. Servir de boa mente quando a enfermidade nos fira.

(Francisco Cândido Xavier)

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Sonhos Segundo o Espiritismo

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Muitos de nós acordamos em meio a noite ou de manhã com impressões fortíssimas oriundas de sonhos que tivemos durante o nosso sono físico. Afinal, seriam situações vivenciadas por nossas almas durante o sono, impressões desconexas de lembranças do dia ou verdadeiras predições e avisos sobre o futuro ?

Ao longo de nosso estudo sobre a emancipação da alma – momento onde o espírito se afasta do corpo físico e mantém sua ligação com este apenas por um halo fluídico que impede que haja o total desprendimento do espírito – entendemos que nossos sentidos físicos ficam adormecidos, entorpecidos. Isto facilita a liberdade do espírito de ir e vir – Viagem astral – bem como suas lembranças espirituais o que pode facilitar certas impressões no nosso campo mental físico. Ao emancipar-se do corpo, o espírito tem uma liberdade mais ou menos dilatada a depender do grau de adiantamento e de desprendimento do corpo material que o espírito possuir.

401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
“Não, o espírito jamais está inativo. Durante o sono, os laços que o unem ao corpo estão relaxados e, como o corpo não está necessitando dele, ele percorre o Espaço e entra em relação mais direta com os outros espíritos.”

Livro dos Espíritos , Cap. VIII, Editora celd.

Temos assim o conhecimento de que o espírito adquire um grau maior de liberdade durante o nosso sono físico, momento no qual ele , segundo suas tendências mentais e paixões, segue curso livre para o que lhe fala ao coração ou ao que esteja em sintonia com seu campo mental. Por isso quando vamos dormir temos que ter o hábito de orar para que nosso espírito entre em contato com a espiritualidade superior e deixe de lado os pensamentos e preocupações materiais para que evitemos ser arrastados durante o sono para regiões de dores e sofrimentos.

  • Pesadelos

Um pesadelo pode facilmente ser uma emancipação espiritual onde a alma foi atraída para regiões penosas onde seus perseguidores puderam ter amplo controle de seu campo mental e lhe imprimir as mais variadas espécies de dores e sofrimentos. Daí o sentimento de despertar desesperado como se o pesadelo tivesse tido um grau de realidade assustador.

  • Bons Sonhos

O contrário também pode ocorrer. Durante o sono, se antes de dormirmos fizermos nossa oração e estivermos em paz, podemos ser levados a cidades espirituais, onde encontraremos todo tipo de maravilhas, estudos da alma, amigos espirituais e acordaremos assim renovados, com uma energia boa e um bom humor que não sabemos de onde vem.

403. Por que não nos lembramos sempre dos sonhos?
“No que chamas de sono, só há o repouso do corpo, pois o espírito está sempre em atividade; aí, ele recobra um pouco de sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros, quer neste mundo, quer em outros; porém, como o corpo é uma matéria pesada e grosseira, dificilmente, conserva as impressões que o espírito recebeu, porque este não as percebeu através dos órgãos do corpo.”

404. O que se deve pensar do significado atribuído aos sonhos?
“Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de sorte, pois é absurdo acreditar que sonhar com tal coisa, anuncia aquela outra. São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens reais para o espírito, mas que, frequentemente, não têm relação com o que se passa na vida corporal; com frequência, também, como já o dissemos, é uma recordação; pode ser, enfim, algumas vezes, um pressentimento do futuro, permitido por Deus ou a visão do que se passa, naquele momento, num outro lugar a que a alma se transporta. Não tendes numerosos exemplos de pessoas que aparecem, em sonho, e vêm advertir seus parentes ou seus amigos do que está acontecendo com elas? O que são essas aparições, senão a alma ou espírito dessas pessoas que vêm se comunicar com o vosso? Quando tendes a certeza de que o que vistes realmente aconteceu, não estará aí uma prova de que não foi simples imaginação, principalmente, se aquilo não passava, absolutamente, pelo vosso pensamento, durante
a vigília?”

405. Frequentemente, veem-se, em sonho, coisas que parecem pressentimentos e que não se confirmam; de onde isto se origina?
“Elas podem confirmar-se para o espírito e não, para o corpo, quer dizer que o espírito vê aquilo que deseja porque vai ao seu encontro. É preciso não esquecer que, durante o sono, a alma está sempre, mais ou menos, sob a influência da matéria e que, por conseguinte, nunca se liberta completamente das ideias terrenas; daí resulta que as preocupações da vigília podem dar, ao que se vê, a aparência do que se deseja ou do que se teme; aí está, verdadeiramente, o que se pode chamar de um efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma ideia, tudo o que vemos ligamos a ela.”

Livro dos Espíritos , Cap. VIII, Editora celd.

  • Significado dos Sonhos

O sonhos podem significar reflexos de lembranças da emancipação da alma, encontros espirituais ou viagens astrais que seu espírito empreende no momento do sono. Por isso a importância de manter-se vibracionalmente elevado no momento em que seu corpo irá repousar. Durante o sono o corpo repousa porém o espírito se mantem em atividade, podendo esta ser boa ou ruim conforme seu adiantamento moral e a sua vibração no momento do sono. Kardec nos traz através de obras póstumas alguns esclarecimentos mais sobre a emancipação da alma.

IV. Emancipação da alma
24. “Durante o sono, apenas o corpo repousa, o espírito, porém, não dorme; aproveita o repouso do corpo e os momentos em que sua presença não é necessária para agir separadamente, e ir aonde quer; desfruta de sua liberdade e da plenitude de suas faculdades. Durante a vida, o espírito nunca está completamente separado do corpo; a qualquer distância que se transporte, mantém-se sempre ligado por um laço fluídico que serve para chamá-lo, desde que sua presença seja necessária; este laço só é rompido com a morte.”

“O sono liberta, em parte, a alma do corpo. Quando dormimos, estamos  momentaneamente no estado em que nos encontramos, de uma maneira fixa, após a morte. Os espíritos que estão desligados da matéria, após sua morte, tiveram sonhos inteligentes, estes, quando dormem, juntam-se à sociedade dos outros seres superiores a eles; eles viajam, conversam e com eles se instruem; trabalham mesmo em obras que encontram, ao morrer, inteiramente prontas. Isto deve ensinar-vos, uma vez mais, a não temer a morte, já que morreis todos os dias, segundo a palavra de um santo.”

“Isto para os espíritos elevados; mas para a massa dos homens que na morte devem permanecer, longas horas nessa perturbação, nessa incerteza da qual vos falaram, estes vão, ora nos mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições os chamam, ora vão procurar prazeres, talvez mais baixos do que os que têm aqui; vão buscar doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais nefastas que as que professam entre vós. E o que engendra a simpatia na Terra não é outra coisa senão esse fato, de que se sente próximo ao despertar, pelo coração, daqueles com quem acabamos de passar oito a nove horas de felicidade ou de prazer. O que explica, também, essas antipatias invencíveis, que se sabe, no fundo do coração, que essas pessoas têm uma outra consciência diferente da nossa, porque as conhecemos, sem tê-las visto com os olhos. É ainda o que explica a indiferença, porque não se interessa em fazer novos amigos, quando se sabe que se tem outros que nos amam e nos têm afeição. Numa palavra, o sono influi mais do que imaginais na vossa vida.”

Do livro Obras póstumas, Allan Kardec, Primeira parte, Manifestações dos espíritos, página 58 e 59, Editora Celd.

Vemos então que os sonhos nada tem de significados adivinhos mas sim situações rotineiras das almas que ao se desprenderem do corpo físico gozam de um certo grau de liberdade para ir e fazer o que mais se assemelha com a sua vibração e seu padrão mental. Podemos encontrar entes queridos, ter diálogos com nossos mentores espirituais ou sermos arrastados para umbrais de toda sorte e para festas ou desfiles de maldade e de nível inferior. Como tudo no conhecimento espírita, nada é absoluto, tudo depende de outros fatores que podem nos auxiliar ou nos retardar a caminhada evolutiva.

Então, ao se deparar com sonhos ruins, ore, peça ajuda ao seu mentor e a espiritualidade amiga para que seu espírito possa ter durante o repouso corporal uma emancipação branda e pacífica, onde somente através dos bons pensamentos e do caminho no bem iremos continuar nosso processo evolutivo em paz.

Estimados amigos, que possamos manter nosso pensamento elevado junto de nossos amigos espirituais e que este pequeno estudo possa ser útil a nossa sintonização com o bem e a espiritualidade amiga. Muita paz!

A pena de morte – Visão Espírita

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Que estamos passando por um momento de transição planetária nenhum espírita discorda. Porém ultimamente temos esbarrado em opiniões adversas sobre como lidar com as situações que nos põe a toda prova. Uma dessas situações é sobre a violência que vivenciamos a cada dia.

Sabemos que em muitas nações do planeta terra uma das condenações legais é a Pena de Morte. Mas para o espiritismo é certo a morte de um ser humano pelas mãos de outro ? e se este ser humano causou tanto mal seria a melhor opção mante-lo vivo ?

Iremos nos respaldar sempre por Allan Kardec e sua codificação principalmente e no livro dos espíritos os espíritos abordam o tema pena de morte nas perguntas 760 a 765, no que nos fazem refletir sobre a necessidade do desenvolvimento humano abolir estas práticas bárbaras da sociedade como um todo.

  1. A pena de morte desaparecerá um dia da legislação humana?

      — A pena de morte desaparecerá incontestavelmente e sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens forem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida da Terra. Os homens não terão mais necessidade de ser julgados pelos homens. Falo de uma época que ainda está muito longe de vós.

  1. A lei de conservação dá ao homem o direito de preservar a sua própria vida; não aplica ele esse direito quando elimina da sociedade um membro perigoso?

     — Há outros meios de se preservar do perigo, sem matar. É necessário, aliás, abrir e não fechar ao criminoso a porta do arrependimento.

Para quem se questionar sobre os casos de pessoas aparentemente imutáveis à maldade oriunda de suas próprias atitudes e pensamentos lembremo-nos que a Lei de progresso é uma marcha incessante e se no momento aquele irmão encontra-se no erro, um dia, há de se redimir e espiar aqueles erros e não cabe a nenhum de nós abreviar a sua vida para tal. Aliás, abreviar a vida de outrem é ferir a Lei de conservação humana e criar débitos à sua vida.

Sabemos existir mortes que seriam “menos” culposas do que outras pois sendo Deus justo e bom não poderá julgar atos diferentes com o mesmo peso. Sabemos através do estudo do livro dos espíritos que a morte oriunda da legítima defesa é menos grave conforme a situação e os meios que dispunham quem usou-se desta situação. Mas no caso da Pena de morte ? seria uma legítima defesa ?

Os espíritos nos esclarecem que a todo homem é dado a oportunidade do arrependimento e uma nova chance para que se aplique os ensinamentos obtidos em erros pretéritos, assim, se define a reencarnação. Se de Deus vem esta demonstração infinita de justiça porque entre nós seria diferente ? O esquecimento de vidas Esquecimento de vidas passadas não seria ,pois, Deus nos entregando uma segunda chance, livre da vergonha e da miséria causadas por um julgamento eterno e injusto ?

Se pautarmos nossos pensamentos conforme Cristo veremos que o revanchismo que encontramos livremente sendo aclamado por redes sociais, políticos, figuras públicas, etc, nada mais é do que a nossa natureza inferior demonstrando o quanto estamos longe dos ensinamentos sublimes de Jesus “amar ao próximo como a ti mesmo”. Ora, sendo o próximo um criminoso e nos pondo em seu lugar, não gostaríamos , pois, de uma chance de reverter nosso erro ? A pena de morte é a volta do reinado do medo. O espiritismo nos traz o consolador e o esclarecedor. O espírita não teme a Deus, do contrário, compreende-O e assim ama-O com uma certeza irrefutável de seus desígnios.

Por isso, para o espiritismo, a pena de morte terá sua data de validade atingida conforme a humanidade evoluir e entender que o perdão não retira a culpa, apenas auxilia na recuperação de quem caiu no erro e que a justiça divina não falha. No passado nós mesmos já fomos bandidos, estupradores, assassinos e por quantas vezes não lembramos do quanto imploramos por uma segunda chance … Sejamos hoje essa voz de sabedoria que clama aos homens um olhar compreensivo e humilde para os irmãos desafortunados.

De vez em quando aparece alguém que, em virtude de algum problema social mais grave – a violência, por exemplo, – pede a pena de morte. O senhor concorda?

CHICO XAVIER: A pena deveria ser de educação. A pessoa deveria ser condenada mas é a ler livros, a se educar, a se internar em colégios ainda que seja, vamos dizer, por ordem policial. Mas que as nossas casas punitivas, hoje chamadas de casas de reeducação, sejam escolas de trabalho e instrução. Isto porque toda criatura está sentenciada à morte pelas leis de Deus, porque a morte tem o seu curso natural. Por isso, acho que a pena de morte é desumana, porque ao invés de estabelecê-la devíamos coletivamente criar organismos que incentivassem a cultura, a responsabilidade de viver, o amor ao trabalho. O problema da periculosidade da criatura, quando ela é exagerada, esse problema deve ser corrigido com educação e isso há de se dar no futuro. Porque nós não podemos corrigir um crime com outro, um crime individual com um crime coletivo.

Do livro: Chico Xavier – Mandato de Amor, editado pela União Espírita Mineira.

A doutrina espírita é clara quanto a necessidade de nos desapegarmos das remanescências de nossa barbaridade e elevarmos nossos pensamentos a soluções crísticas para as diversas situações problemáticas que nos encontramos em momento de transição planetária. Ter esperança no progresso espiritual é a certeza da vida futura, proclamada pelo espiritismo como a certeza de que amanhã tudo será melhor do que hoje. Por isso, meus irmãos, sejamos mensageiros de cristo ao trazer a boa nova através de nossos atos e nosso testemunho de fé ante aos perigos da atualidade.

Que não mais sejamos nós a oferecer a outro o sofrimento e que na terra, como descrita no livro dos espíritos possa se estabelecer o reino de paz.

Muita paz!

Fora da Caridade não há salvação

CARIDADE

A máxima do espiritismo nunca foi tão propagada nos meios de comunicação espirita como tem sido feito atualmente. Diariamente vemos o aumento do número de obras sociais, instituições de caridade – espíritas ou não – de projetos de doações material, de trabalhos voluntários de toda sorte. Afinal o Cristo desde sempre nos chamou para o trabalho na seara do bem, desde os seus 12 apóstolos que seriam o seu evangelho vivo a se propagar e a trazer à humanidade a sublime lição de amor e de serviço ao próximo em conformidade com as leis divinas.

Por isso, espíritas que somos, devemos sempre estar com o coração intimamente ligado com a caridade e a benevolência, Indulgentes às imperfeições alheias. Não nos tomaremos de ódio ou de rancores, nem de contendas sem fim edificante. Estaremos sempre à rigor do cumprimento disciplinado e sereno da caridade, seja em doações materiais e – principalmente – de doações emocionais : um sorriso, um abraço, uma palavra amiga…

O evangelho segundo o espiritismo nos fala da benevolência e da caridade como no trecho abaixo transcrito:

[…]Caridade! Sublime palavra que sintetiza todas as virtudes, és tu que hás de conduzir os povos à felicidade. Praticando-te, criarão eles para si infinitos gozos no futuro e, quando se acharem exilados na Terra, tu lhes serás a consolação, o prelibar das alegrias de que fruirão mais tarde, quando se encontrarem reunidos no seio do Deus de amor. Foste tu, virtude divina, que me proporcionaste os únicos momentos de satisfação de que gozei na Terra. Que os meus irmãos encarnados creiam na palavra do amigo que lhes fala, dizendo-lhes: “É na caridade que deveis procurar a paz do coração, o contentamento da alma, o remédio para as aflições da vida.” Oh! quando estiverdes a ponto de acusar a Deus, lançai um olhar para baixo de vós; vede que de misérias a aliviar, que de pobres crianças sem família, que de velhos sem qualquer mão amiga que os ampare e lhes feche os olhos quando a morte os reclame! Quanto bem a fazer! Oh! não vos queixeis; ao contrário, agradecei a Deus e prodigalizai a mancheias a vossa simpatia, o vosso amor, o vosso dinheiro por todos os que, deserdados dos bens desse mundo, enlanguescem na dor e no insulamento! Colhereis nesse mundo bem doces alegrias e, mais tarde… só Deus o sabe!… – Adolfo, bispo de Argel. (Bordeaux, 1861.)

(Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.XIII , item 11)

Neste trecho o espírito Adolfo de Argel nos exalta os princípios sublimes da caridade. Suas elevadas diretrizes e seus efeitos benéficos para a alma daquele que a pratica. Sabemos por meio de muitos testemunhos de espíritos que a caridade salva não somente o assistido como também aquele que assiste ao irmão necessitado.

A caridade real que Jesus nos ensinou consiste em agir com boa vontade e bondade no auxílio de outros irmãos mais necessitados tanto materialmente  quanto espiritualmente. Não é necessário para praticar da caridade nenhum atributo especial. Não precisamos ser ricos, ou dispormos de tempo de sobra. Muitos culpam a falta de tempo como motivo para não praticar a caridade mas já pararam para pensar que a caridade que podes aplicar pode ser um simples gesto? Um bom dia ao porteiro que pode estar precisando de um sorriso para melhorar dos seus problemas que carrega, ou ceder o seu lugar no transporte público a alguém que nitidamente está precisando de auxílio. O chamado para a prática do bem vem nos momentos em que menos esperamos e nestas horas que precisamos estar vigilantes para que possamos servir a Deus nos seus desígnios justos e perfeitos.

Meus amigos, a muitos dentre vós tenho ouvido dizer: Como hei de fazer caridade, se amiúde nem mesmo do necessário disponho?

Amigos, de mil maneiras se faz a caridade. Podeis fazê-la por pensamentos, por palavras e por ações. Por  pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem se acharem sequer em condições de ver a luz. Uma prece feita de coração os alivia. Por palavras, dando aos vossos companheiros de todos os dias alguns bons conselhos, dizendo aos que o desespero, as privações azedaram o ânimo e levaram a blasfemar do nome do Altíssimo: “Eu era como sois; sofria, sentia-me desgraçado, mas acreditei no Espiritismo e, vede, agora sou feliz.”

(Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII , item 10)

Na duvida de como proceder sobre a caridade basta nos perguntarmos “o que eu gostaria que me fosse feito se eu estivesse nesta situação?” talvez a resposta possa nos surpreender e nos trazer a tona uma importante reflexão e um divino aprendizado. A caridade nos traz a humildade, a aceitação e a noção das bençãos que possuímos frente a irmãos tão menos afortunados na atual existência.

É através da benevolência para com o próximo que podemos chegar também a reforma íntima – a mudança interior de nossas atitudes e nossos atos – a fim de alcançarmos uma melhoria moral de nosso espírito. Doenças, perda de entes queridos, dependência química, fome e todo tipo de misérias humanas. É nos deparando com situações difíceis e vendo irmãos que passam por isso sem deixar de sorrir e de ter esperança que percebemos o quanto devemos ser gratos por nossa vida ter mais oportunidades.

Sede bons e caridosos: essa a chave dos céus, chave que tendes em vossas mãos. Toda a eterna felicidade se contém neste preceito: “Amai-vos uns aos outros.”

(Evangelho segundo o espiritismo Cap. XIII, item 12)

A caridade sincera e anonima é a prova de que o Cristo vive em nós. Não devemos buscar reconhecimento ao sermos caridosos, apenas esperemos de nós o que DEVEMOS ser e dos outros a cada conforme a sua semeadura.

Dá sem exigirdes nada em troca. Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa
mão direita.

[…]A caridade moral consiste em se suportarem umas às outras as criaturas e é o que menos fazeis nesse mundo inferior, onde vos achais, por agora, encarnados. Grande mérito há, crede-me, em um homem saber calar-se, deixando fale outro mais tolo do que ele. É um gênero de caridade isso. Saber ser surdo quando uma palavra zombeteira se escapa de uma boca habituada a escarnecer; não ver o sorriso de desdém com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se supõem acima de vós, quando na vida espírita, a única real, estão, não raro, muito abaixo, constitui merecimento, não do ponto de vista da humildade, mas do da caridade, porquanto não dar atenção ao mau proceder de outrem é caridade moral.[…]

(Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII , item 9)

Muitas vezes poderemos encontrar precalços no caminho do bem porém o servo fiel do divino mestre sempre anda a sorrir o sorriso dos justos, o caminhar suave pois nele já se instaurou o reino de Deus porque – de forma otimista e com muita convicção – nele repercute a máxima :

Fora da caridade não há salvação! Muita paz!

Fonte: E.S.E Cap.XIII

O Umbral

umbral

A ideia do Umbral sempre provocou fascínio entre os espíritas e não espíritas. Desde que o médium Francisco Cândido Xavier revelou pela primeira vez a existência do Umbral no livro Nosso Lar, em 1944, muitas pessoas criaram uma certa curiosidade sobre o assunto. Umbral pode ser definido como uma zona ou região cósmica onde se encontram, por afinidade e sintonia, espíritos que estão presos aos resultados de suas próprias ações, emoções e pensamentos negativos. É onde se reúnem desencarnados que não conseguem se libertar de muitas emoções, como mágoa, culpa, ressentimento, ódio, revolta, ambição, apego, angústia, dor, luto, decepção, frustrações, etc.

Seria, a bem dizer, uma região extra-física onde os espíritos de afinidades e vibrações menos elevadas se encontrariam unidos em vibração de pensamentos e paixões. Porém nas próprias obras de André Luiz, assim como noutras obras de espíritos conhecidos, o umbral é tido como uma zona mental não necessariamente física, onde os pensamentos dos espíritos – encarnados ou desencarnados – cria as formas-pensamento que nada mais são que imagens criadas pela imaginação, vibração e energia mental que alimentam estas criações mentais.

Para o Umbral normalmente espíritos cuja vibração é muito baixa são atraídos por sintômia; espíritos que cometeram erros terríveis em vida ou que se prendem em paixões, vícios, sexo, drogas, perversões, maldades e toda sorte de qualidades inferiores, como orgulho, egoísmo, vaidade, medo, tristeza profunda, etc. Quase sempre esta “ida” ao umbral após o desencarne é compulsória e involuntária. O espírito se atrai a este ambiente psico-espiritual através das suas atitudes em vida e seus mais íntimos pensamentos.

Como no caso de André Luiz que foi atraído a o umbral devido a sua vida materialista e de grandes extravagâncias, muitos de nós acabamos nos encontrando neste “ambiente infernal” devido às nossas relutâncias em desapegar-se das paixões materiais. Muitos espíritos no umbral sofrem com problemas graves de consciência machucada pelo pior juiz que podemos ter que enfrentar: Nós mesmos. A culpa, a raiva e até mesmo o sentimento de vingança e rebeldia tornam espíritos umbralinos – espíritos que estão a tanto tempo perdidos no umbral – soldados incansáveis da marcha anti-evolutiva.

Como evitar o Umbral?

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Mas não há motivos para desespero, existe uma forma de não “ir” para o umbral e ela é bem simples! tudo bem não é tão simples mas o importante é ter boa vontade e determinação! Caso nos tornemos pessoas desprendidas do mundo material, cheias de bons sentimentos, não dando espaço para a inveja, arrogância, ganância e orgulho poderemos não ter que passar por este estágio tão degradante d’alma.

O processo evolutivo não dá saltos, cada passo é dado aos poucos e não seria diferente com a nossa reforma íntima. É muito importante que estejamos atentos às nossas atitudes e aos nossos pensamentos – Orai e Vigiai – já nos dizia o mestre Jesus. Quem ora está em constante contato com o plano espiritual superior e quem vigia está sempre atento para suas atitudes perante as provações e espiações da carne. Para redimir-se com os erros do passado precisamos acertar o presente para que encontremos um futuro de bênçãos e alegrias. Confiar na providência divina e fazer a nossa parte diante do processo evolutivo é a melhor maneira de se evitar o Umbral e as penosas situações que extraímos de experiências desagradáveis de irmãos que nos trouxeram em vias mediúnicas seus testemunhos.

Sejamos pois de agora em diante exemplos de superação, de boa vontade e de refazimento. Criemos, pois, a nossa reforma íntima com sincera humildade e busca pela redenção. O umbral nada mais é do que a nossa imperfeição sendo colhida através das escolhas que fizemos durante nossa encarnação presente, logo é possível evita-lo basta seguir ao Cristo, nosso maior exemplo de perfeição na terra.

Muita paz e sucesso aos irmãos na reforma íntima!

Fontes: Livro dos espíritos , Allan kardec
Nosso lar , Francisco Cândido Xavier (pelo espírito André Luiz)

A Prece – Sabemos Orar?

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Como orar? Afinal a prece deve ser feita antes de dormir? Deve possuir belas palavras? precisa-se de estar de joelhos e mãos juntas? Quantas e quantas vezes somos indagados por outros sobre questões semelhantes a estas. Afinal no espiritismo existe um jeito certo de orar?

Para iniciarmos este pequeno estudo precisamos antes entender o que é a prece no seu sentido mais amplo. A prece é a união entre o homem e Deus através dos seus pensamentos e sentimentos. É através da prece que o ser humano se liga a Deus e mantem-se durante seu dia em comunhão vibracional com o plano superior divino. Ela fortalece aquele que a proclama e gera auxílio vibracional a todo o ambiente a sua volta, causando enorme bem-estar e equilíbrio.

Sobre a prece Santo Agostinho fala no Evangelho Segundo o Espiritismo Cap. XXVII, item 23 o seguinte:

Vinde, todos vós que desejais crer; os espíritos celestes auxiliam e vêm vos anunciar grandes acontecimentos. Deus, meus Filhos, abre os seus tesouros para vos dar todos os seus benefícios. Homens incrédulos! Se soubésseis quanto bem a fé traz ao coração e como leva a alma ao arrependimento e à prece! Ah! a prece! Como são comoventes as palavras que saem da boca no momento em que se ora!

A prece é o orvalho divino que faz desaparecer o grande calor das paixões; filha mais velha da fé, ela nos leva pelo caminho que conduz a Deus. No recolhimento e na solidão, estais com Deus; e para vós não há mistérios, porque eles se desvendam. Apóstolos do pensamento, para vós é a verdadeira vida; vossa alma se desliga da matéria e se lança nesses mundos infinitos e etéreos que os pobres humanos desconhecem.

Caminhai, caminhai pelos caminhos da prece, e escutareis as vozes dos anjos. Que harmonia! Não mais o ruído confuso nem os cantos estridentes da Terra; são as liras
dos arcanjos; são as vozes doces e suaves dos serafins, mais leves que a brisa da manhã, quando brincam na folhagem dos vossos grandes bosques. Em que delícias havereis de caminhar! Vossas palavras não poderão definir essa ventura, que entrará por todos os poros, tão viva e refrescante é a fonte em que se bebe quando se está orando. Doces vozes, inebriantes perfumes que a alma ouve e sente quando se lança nessas esferas desconhecidas, habitadas pela prece. Sem a mistura dos desejos carnais, todas as aspirações são divinas. Vós também, orai como o Cristo levando sua cruz ao Gólgota, ao Calvário. Levai vossa cruz, e sentireis as doces emoções que passavam em sua alma, embora carregando o madeiro infamante. Ele ia morrer, mas para viver a vida celeste, na morada de seu Pai.
(Santo Agostinho. Paris, 1861.)

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É através da prece que nos ligamos ao plano superior e ficamos mais sensíveis as suas intuições de amparo e amor. Quantas situações infelizes ou tomadas de decisões poderíamos ter feito de forma mais equilibrada se vivêssemos em prece? A alma equilibrada tem mais chances de agir pelo caminho do bem e o equilíbrio se estabelece com a pratica de oração. Por isso na dúvida ou nos anseios de toda espécie ORE E CONFIE!

Mas nós sabemos como orar? sabemos o que pedir? Normalmente não costumamos usar a prece de forma egoística pedindo pequenas vitórias pelo mundo material e não agradecendo nossas vicissitudes e provações que nos fazem espíritos melhores ?

[…]A prece do cristão, do espírita, qualquer que seja o culto, deve ser feita logo que o espírito retoma o domínio da carne e deve elevar-se aos pés da Majestade Divina com humildade, do mais profundo da alma, em um impulso de reconhecimento por todos os benefícios recebidos até o dia presente; pela noite transcorrida, e durante a qual lhe foi permitido, ainda que sem o saber, encontrar-se com os amigos, com os guias, para receber na companhia deles mais força e mais perseverança. A prece deve elevar-se humilde aos pés do Senhor, para pedir-lhe proteção para a vossa fraqueza, pedir-lhe seu apoio, sua indulgência e sua misericórdia. Ela deve ser profunda, porque é a vossa alma que se deve elevar até o Criador, e que se deve transfigurar, como Jesus no Tabor, para chegar a ele pura e radiante de esperança e de amor.

Vossa prece deve conter o pedido das graças de que tendes necessidade, mas uma
necessidade real.[…]

(Evangelho segundo o espiritismo Cap. XXVII, item 22)

Ou seja, não importa como você faz sua prece mas o sentimento que está pro detrás daquilo que você solicita ao plano espiritual. Uma prece feita com as palavras do coração e com humildade e sentimento atravessa aos céus e chega ao destino, uma prece fútil e com intensões secundárias egoístas não pode senão passar de devaneios de um espírito que ainda se encontra prisioneiro de si mesmo.

[…]Inútil, portanto, é pedir ao Senhor que abrevie as vossas provas, que vos dê alegrias e riquezas. Pedi-lhe antes que vos conceda os bens mais preciosos: a paciência, a resignação e a fé. Não pronuncieis, como muitos dentre vós, estas palavras: “Não vale a pena orar, pois Deus não me escuta”. Na maioria das vezes, o que rogais a Deus? Tendes pensado em lhe pedir o vosso aperfeiçoamento moral? Oh! não, muito poucas vezes; o que antes vos lembrais de pedir é o sucesso para os vossos empreendimentos terrenos, e vós exclamais: “Deus não se preocupa conosco, se ele se preocupasse não haveria tantas injustiças.”

Insensatos, ingratos! Se fôsseis ao fundo das vossas consciências, quase sempre encontraríeis em vós mesmos o ponto de partida de todos os males dos quais vos queixais; pedi, portanto, antes de todas as coisas, o vosso aperfeiçoamento moral, e vereis que torrente de graças e de consolações se derramará sobre vós.[…]

(Evangelho Segundo o Espiritismo Cap. XXVII, item 22)

Os espíritos nos trazem através das palavras acima a advertência fraterna sobre a importância do pensamento em prece estar m conformidade com nosso progresso moral e nossa luta diária para nos tornarmos espíritos melhores. É indispensável que nesta luta mantenhamos o nosso pensamento em prece para que o auxílio dos céus encontre sintonia como nossa vibração e possam os espíritos do bem nos intuir e auxiliar na luta diária. Evitemos então colocar em nossas preces diárias e de agradecimento pedidos de caráter material pois os espíritos não podem simplesmente mudar o que nosso livre-arbítrio construiu. Viver em prece é estar sempre em contato com Deus!

A prece não necessita de belas palavras mas dos mais sublimes sentimentos. Não precisa seguir um ritual, apenas necessita de concentração no amor e no bem! Sejamos pois espíritos em constante contato com Deus através da oração. Estabelecidos estes laços de amor e de bondade estaremos, então, no caminho de luz que Jesus nos ensinou.

E você, já falou com Deus hoje? Muita paz!!

 

Por que esquecemos de vidas passadas?

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Muito se debate acerca do espiritismo e da reencarnação e um frequente questionamento tanto para os leigos sobre o espiritismo tanto quanto nas fileiras de adeptos da doutrina é sobre a necessidade e o por que de Deus nos conceder o esquecimento de nossas experiências em vidas passadas. Tentaremos nesse artigo elucidar um pouco sobre o assunto bem como as dúvidas mais frequentes que temos observado.

Para facilitar iremos inicialmente utilizar um exemplo: Digamos que a todos fossem permitido a visualização total de suas vidas passadas. Quantos de nós talvez ficaríamos envergonhados ou embaraçados perante aos erros cometidos ? e se descobríssemos ter sido um tirano que ceifou muitas vidas ? ou alguém que a história nos ensinou a temer e aos atos repudiar ? Será que conseguiríamos todos nós lidar bem com o peso da responsabilidade dos nossos atos passados ?

O esquecimento das encarnações anteriores é o amor divino de Deus intercedendo por nós que, ao ver o filho envergonhado de seus erros anteriores lhe “apaga” o passado da mente para que este possa ter um novo começo, sem portanto o peso da consciência a lhe travar os passos em direção ao progresso. Seria, pois, justo para que todos nós pudéssemos tentar a cada vida sem que nossos erros do passado nos fizessem esquecer do futuro.

Sobre isso Kardec nos traz uma reflexão no livro “O que é o espiritismo?” quando no capítulo 1 no item Esquecimento do Passado Kardec é indagado se o homem pode aproveitar a experiência adquirida em outras vidas visto que ao esquecer-se delas parece estar sempre a recomeçar, no que Allan Kardec responde:

[…]Tal é o problema do esquecimento do passado, que se prende a outras questões de não menor importância e, por isso, não farei aqui senão tocar levemente o assunto. Se em cada uma de suas existências um véu esconde o passado do Espírito, com isso nada perde ele das suas aquisições, apenas esquece o modo por que as conquistou. Servindo-me ainda da comparação supra com o aluno, direi que pouco importa saber onde, como, com que professores ele estudou as matérias de uma classe, uma vez que as saiba, quando passa para a classe seguinte. Se os castigos o tornaram laborioso e dócil, que lhe importa saber quando foi castigado por preguiçoso e insubordinado? É assim que, reencarnando, o homem traz por intuição e como ideias inatas, o que adquiriu em ciência e moralidade. Digo em moralidade porque se, no curso de uma existência, ele se melhorou, se soube tirar proveito das lições da experiência, se tornará melhor quando voltar; seu Espírito, amadurecido na escola do sofrimento e do trabalho, terá mais firmeza; longe de ter de recomeçar tudo, ele possui um fundo que vai sempre crescendo e sobre o qual se apoia para fazer maiores conquistas[…]

O codificador continua, ainda na mesma resposta, ao fazer a seguinte colocação : “Se os sofrimentos da vida parecem longos, que seria se a eles se juntasse a lembrança do passado?”. Ou seja, Se já nos causa enorme sofrimento nossos erros nesta vida e nossas má escolhas imagina se a isto se somassem nossos erros e delitos de todas as nossas encarnações ? Teríamos provavelmente inúmeras crises de culpa e travaríamos novamente nosso progresso.

Resolvendo então sanar o máximo de dúvidas possíveis sobre este assunto traremos algumas perguntas e respostas que podem auxiliar no estudo sobre o esquecimento de vidas passadas, lembrando que a fonte dessas perguntas são comentários e blogs espíritas e as respostas são baseadas no livro dos espíritos, o que é o espiritismo e na revista espírita de 1858.

Não seria mais fácil lembrar de nossos erros passados e assim podermos concerta-los?

Aparentemente a lógica leva a crer isso, porém por trás de toda lógica existem os sentimentos que, estando em nós confusos e imaturos por sermos ainda espíritos em evolução moral tornam-se perigosos. Se muitas pessoas por desavenças mesquinhas nesta vida tratam de procurar por vingança e de cumprir a lei pelas próprias mãos imaginem pois se tivéssemos a lembrança de tantas outras situações semelhantes de outras vidas ? imagine se descobre que você não se da bem com um familiar por serem inimigos de outra vida? será que buscaria a redenção  do perdão e do amor ou a vingança e a separação inevitável ? e o outro? será que lhe perdoaria os erros por mais sincero arrependimento que sintas pela falta cometida? O esquecimento é benção divina que nos cobre com o manto de um recomeço para saldarmos nossas dívidas com maior neutralidade possível de sentimentos.

Suponhamos ainda — o que é um caso muito comum — que em vossas relações, em vossa família mesmo se encontre um indivíduo que vos deu outrora muitos motivos de queixa, que talvez vos arruinou, ou desonrou em outra existência, e que, Espírito arrependido, veio encarnar-se em vosso meio, ligar-se a vós pelos laços de família, a fim de reparar suas faltas para convosco, por seu devotamento e afeição; não vos acharíeis mutuamente na mais embaraçosa posição, se ambos vos lembrásseis de vossas passadas inimizades? Em vez de se extinguirem, os ódios se eternizariam.

Allan Kardec, livro: O que é o espiritismo, capítulo I.

Se esquecemos da vida passada não esqueceríamos de tudo que aprendemos nela também?

Como já disse o codificador no trecho inicial desse artigo:

[…]Se em cada uma de suas existências um véu esconde o passado do Espírito, com isso nada perde ele das suas aquisições, apenas esquece o modo por que as conquistou.[…]É assim que, reencarnando, o homem traz por intuição e como ideias inatas, o que adquiriu em ciência e moralidade. Digo em moralidade porque se, no curso de uma existência, ele se melhorou, se soube tirar proveito das lições da experiência, se tornará melhor quando voltar; seu Espírito, amadurecido na escola do sofrimento e do trabalho, terá mais firmeza; longe de ter de recomeçar tudo, ele possui um fundo que vai sempre crescendo e sobre o qual se apoia para fazer maiores  conquistas[…]

Com isso Kardec nos lembra que esquecemos sim de como adquirimos este conhecimento mas que as ideias inatas são a maior prova de que uma experiência corpórea no passado nos deu a experiência necessária e o aprendizado de algumas virtudes e conhecimentos que trazemos em forma de facilidades. Por isso algumas crianças desde cedo parecem possuir certos conhecimentos tanto científicos como morais de inúmeras coisas que a elas nunca foi devidamente mostrado. São nossas virtudes, conhecimentos e ideias inatas que derivam de nossas diversas passagens pela vida material. Tudo que adquirimos permanece sob forma de “facilidades” que possuímos em certas áreas da vivência humana.

É possível fazer a regressão de vidas passadas e ter conhecimento pleno de vidas anteriores?

O assunto é polêmico e complexo, mas unanimemente a espiritualidade nos aconselha calma e oração. O esquecimento da vida passada é uma lei de Deus para nos ajudar. ir contrariamente a esta lei pode nos trazer consequências sérias tais como loucura, obsessão e até mesmo a morte segundo relatos de alguns consultórios. Pela complexidade do assunto terei que deixar tal estudo para outro artigo, entretanto foquem na ideia de que é necessário sempre cautela pois não é tão simples quanto parece.

Algum dia será dado ao homem conhecer suas vidas passadas de forma irrestrita?

Sim. Quando o homem evoluir e para ele ver seus erros e suas vidas passadas não passar de história, quando o homem desprender-se do material e entender que a realidade espiritual prevalece. Sobre este assunto a revista espírita de 1858 em diversas trocas de mensagens com espíritos superiores habitantes de Júpiter nos trazem a ideia de que o espírito, ao alcançar elevado grau de adiantamento moral pode facilmente acessar lembranças de existências passadas tais como lembranças de um ontem qualquer. Porém desprovido de sentimentos menso elevados isso não torna para ele a vida mais sofrida e para ele nada significam senão lembranças de uma infância espiritual muito distante.

Dessa forma entendemos a importância que é dada a lei de esquecimento para o nosso grau atrasado de adiantamento moral aqui na terra. Devemos focar no presente de forma que saldemos as dívidas passadas e construamos um futuro melhor sempre em direção ao progresso moral da alma. Muita paz!