Desigualdades Sociais – Visão Espírita

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Viver num mundo onde tantas desigualdades são rotineiras nos faz as vezes questionar a justiça divina, nos perguntamos onde está a lógica de Deus ao permitir que uns nasçam num ambiente de tanta fartura enquanto outros mantém-se em situações degradantes onde nem os direitos fundamentais humanos são garantidos. Mas afinal, Deus é injusto? Qual a razão para que hajam tantas desigualdades se Ele é quem permite tudo?

Nosso estudo busca analisar esses fatos à luz da doutrina espírita. 

Analisemos primeiro a origem das desigualdades sociais. Entende-se na doutrina espírita que a desigualdade social é proveniente do próprio homem pois, para Deus, todos somos iguais.Vejamos o que dizem os espíritos, em o livro dos espíritos no capítulo IX:

803. Perante Deus, são iguais todos os homens?
“Sim, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez suas leis para todos. Dizeis freqüentemente: ‘O Sol luz para todos’ e enunciais assim uma verdade maior e mais geral do que pensais.”
Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Deus a nenhum homem concedeu superioridade

Dito isso, Kardec deixa claro, através desta resposta dada pelos espíritos a ele, que pela criação todos somos iguais e viemos do mesmo ponto de partida. Porém vemos que muitos parecem estar em muito mais desvantagens, principalmente acerca da situação social. Disso os espíritos nos trazem no mesmo capítulo a seguinte resposta:

806. É lei da natureza a desigualdade das condições sociais?
“Não; é obra do homem e não de Deus.”

Então com isso temos que a realidade acerca da desigualdade é criada pelo próprio homem que em sua ganância de possuir bens materiais, de acumular e de explorar o próximo com fins de lucrar e angariar através do sacrifício de outrem, não sequer pensam na ética envolvida em se ter demais até do supérfluo e deixar o próximo ao abandono de não possuir o mínimo necessário.

807. Que se deve pensar dos que abusam da superioridade de suas posições sociais,
para, em proveito próprio, oprimir os fracos?
“Merecem anátema! Ai deles! Serão, a seu turno, oprimidos: renascerão numa existência em que terão de sofrer tudo o que tiverem feito sofrer aos outros.”

Na questão 807, os espíritos explicitam a situação de causa e efeito que é infalível nas questões morais daqueles que se dobram ao mau uso de suas condições sociais para ao invés de criar oportunidades – seja de emprego ou de chances de auxiliar aqueles que estão muito aquém de conquistarem algo por mérito próprio – acabam não dando bom uso da ferramenta que Deus lhes confiou na atual existência e, pondo tudo a perder, entregam-se aos prazeres e aos caprichos mais vis.

Entendemos que esse mau uso poderá ser pago pela “lei Karmica”  onde o indivíduo que antes oprimia, será amanhã o oprimido. Talvez possa soar um revanchismo desnecessário mas, muitas das vezes, esses indivíduos se tornam grandes nomes da luta pro igualdade social. Ao se ver aquele espírito na situação diferente da anterior, acorda para a necessidade da justiça social e acabam se tornando expoentes neste assunto.

A justiça divina age de forma perfeita e infalível. No livro dos espíritos o subitem da pergunta 806 diz :

a) —Algum dia essa desigualdade desaparecerá?
“Eternas somente as leis de Deus o são. Não vês que dia a dia ela gradualmente se apaga? Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade do merecimento. Dia virá em que os membros da grande família dos filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou menos puro. Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da posição social.”

Daí temos a resposta definitiva: a desigualdade desaparecerá conforme a fraternidade reinar nos corações dos homens. Mais dia virá em que enxergaremos a verdade acerca de nós todos. somos todos espíritos com mais ou menos adiantamento moral conforme nosso merecimento e isso apenas serve para que aqueles que possuem mais auxiliem os que precisam.

Agora entendemos o fator principal das desigualdades. Deus infinito, justo e bom só permitiria algo se o efeito fosse benéfico para a nossa evolução moral. Com isso temos a seguinte resposta dos espíritos, ainda no capítulo IX:

814. Por que Deus a uns concedeu as riquezas e o poder, e a outros, a miséria?
“Para experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem com freqüência.”

Aqui temos mais um fato: os próprios espíritos podem ter pedido a provação a fim de espiar ou aprender algo. Espíritos muito avarentos podem pedir uma existência com menos condições mateiras a fim de trabalharem a humildade e a capacidade do bom uso dos recursos disponíveis. Espíritos em provação de riqueza normalmente sucumbem à tentação do uso irregular dos meios que dispõe a fim da alimentação dos caprichos e das paixões.

816. Estando o rico sujeito a maiores tentações, também não dispõe, por outro lado,
de mais meios de fazer o bem?
“Mas, é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. Com a riqueza, suas necessidades aumentam e ele nunca julga possuir o bastante para si unicamente.”

A alta posição do homem neste mundo e o ter autoridade sobre os seus semelhantes são provas tão grandes e tão escorregadias como a desgraça, porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder. A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus disse: “Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus.”

Visto isso, entendemos que o espiritismo esclarece, através da revelação dos espíritos, que a desigualdade social é um momento da sociedade onde ainda estamos ligados ao egoismo e ao orgulho e isso nos impede de sermos mais solidários o que cria este ciclo interminável de “oprimido-opressor” mas que conforme passam-se as encarnações e as experiências trazem novas mentalidades mais puras ao espírito, estes seres acabarão por fim a entenderem a importância da fraternidade na busca de um mundo melhor.

Nosso papel enquanto espíritas é o de auxiliar a todos os irmãos com menos condições, sejam materiais ou psicológicas. com isto estaremos, por fim, colocando em prática aquilo que muito estudamos nas obras espíritas: Fora da caridade não há salvação!

Tenhamos todos a consciência voltada para a necessidade de cada um de nós fazer a nossa parte para que o mundo se torne mais justo e que o orgulho e o egoismo sejam erradicados, passo a passo, da nossa vida cotidiana. Sejamos humildes, justos e bons, assim como o Pai sempre foi para conosco! muita paz!

Um comentário sobre “Desigualdades Sociais – Visão Espírita

  1. Existem desigualdades sociais porque existem seres humanos desiguais que constroem seu próprio destino optando pelo bem ou pelo mau. Deus nos concede a liberdade de escolha, a opção é individual e por isso não é difícil deduzir que, por exemplo, aquele político que roubou dinheiro público destinado à merenda escolar, aos remédios e à manutenção de creches e abrigos, inevitavelmente colherá o que plantou, nascendo em um lar pobre, onde lhe falte o pão de cada dia, e às vezes até mesmo onde lhe falte a figura materna que o proteja, alimente e agasalhe, em sua fragilidade e nudez. Desigualdades sociais existirão sempre porque sempre existirá o livre arbítrio, através do qual estamos construindo o próprio futuro, com as ferramentas e o material que escolhemos para esta construção, o nome disso é Justiça.

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