Carta de Allan Kardec à Amélie Boudet

carta

Poucos conhecem a esposa de Allan Kardec. Amélie Boudet, foi companheira e esposa do codificador. Importante peça de toda a engrenagem de codificação, foi leal do inicio ao fim da codificação tanto como ajudante de kardec, quanto como  confidente e amiga. Abaixo trazemos uma das cartas de allan kardec a Amélie, sobre um momento de retiro aplicado pelo codificador a fim de avançar na codificação do evangelho e recuperar-se a saúde.

Sainte-Adresse, sexta-feira, 11 de setembro de 1863.

Minha cara Amélie,

Recebi ontem tua carta, que me deu tanto maior prazer porque a esperava com impaciência, surpreendendo-me por não tê-la recebido mais cedo. Vejo com satisfação que tudo vai bem. Quanto a mim, como disse, a uniformidade de minha vida não dá margem a nenhum incidente digno de ser contado.

Limito-me, pois, a dizer-te que estou bem de saúde, melhor até que no início de minha estada aqui. Não é senão com o passar do tempo que a influência da mudança do ar se faz sentir; no começo se sofre um pouco.

Há dois dias somente que o tempo ficou bom, porque tivemos grandes tempestades.

Almocei uma vez na casa da Sra. Foulon, e quarta-feira à tarde, voltando ali novamente, aquelas senhoras fizeram questão de me reterem para o jantar. A Sra. Lombard preparou-me uma torta de ameixas deliciosa. Não as revi desde tua carta e não lhes pude anunciar o incidente que sobreveio às duas pequenas cozinheiras.

Quando me escreveres, dize-me se sabes o nome daquela senhora de Bourg que para aqui veio. Fico encantado de ver, finalmente, um gérmen da Doutrina nesta região.

Diz ao Sr. D´Ambel que fui tomado pelo pesar muito natural que ele experimentou; entretanto, penso que, como verdadeiro espírita que é, ele saberá suportar tudo isso com resignação.

Domingo passado fiz uma excursão aos faróis, onde houve uma borrasca seguida de bom tempo. Almocei no restaurante. Tem uma vista maravilhosa (…)

[…] Adeus, cara Amélie; o tempo de meu retiro chega ao fim e logo poderei te abraçar.

Todo teu.

 [assinado] A.K.

Não me esqueças junto de ninguém.

Carta extraída do artigo Como Allan Kardec preparou O Evangelho segundo o Espiritismo, de Charles Kempf, traduzido por Evandro Noleto Bezerra, Revista Reformador, julho.2014.
Em 28.7.2014.

Kardec diz a sua amada esposa o efeito benéfico da mudança de ar gerada pela sua estadia em Saint-Andresse, o que leva a pensar que seu retiro era necessário ao codificador por motivo de doença, além do isolamento para a redação do Evangelho. Kardec necessitou de muita força durante a codificação tanto de si mesmo quanto de sua esposa, sempre leal companheira de vida.  Este retiro foi necessário devido ao momento de saúde de kardec, já demonstrando algumas complicações desde que iniciou-se os trabalhos da codificação.

Permito-me utilizar das digníssimas palavras publicadas em 2014 pelo “Órgão de divulgação da Federação espírita do parana”

Permitimo-nos aduzir alguns comentários pois, nesta missiva do Codificador à esposa, denotamos a ternura que unia a ambos, o carinho e cuidado que tinham um pelo outro.

Rivail dá notícias das melhoras de sua saúde, com o que, naturalmente, se preocupava Amélie, à distância, por isso ele a sossega a respeito. Também se reporta à atenção que recebe de amigos, como em casa da Sra. Foulon, detalhando a respeito de sobremesa que lhe foi ofertada, ou seja, entre linhas ele ressalta os benefícios da amizade.

Revela a sua saudade, afirmando que logo, tendo em vista o finalizar do seu retiro em Sainte-Adresse, a poderá abraçar. E assina como um apaixonado: Todo teu.

Revela a sua alma de poeta, admirador da natureza, reportando-se ao seu passeio aos faróis e a vista maravilhosa. Nem poderia ser de forma diversa: o Apóstolo do Poeta também o deveria ser.

Ao mesmo tempo, embora sua grande preocupação em Sainte-Adresse fosse a finalização da terceira obra da Codificação, demonstra estar atento ao Movimento Espírita, eis que se reporta ao nascente Movimento Espírita em Bourg, distante um pouco mais de seiscentos quilômetros de onde ele se encontra e a quatrocentos e trinta quilômetros da capital francesa.

Sensível, demonstra solidariedade ao pesar muito natural pela morte de um ser querido de trabalhador da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, demonstrando como a amizade, o afeto, o companheirismo devem ser cultivados em nossas Casas Espíritas.

Verdadeiramente, quanto mais estudamos a Doutrina Espírita, encantando-nos com sua didática apresentação, a síntese maravilhosa de O livro dos Espíritos, encerrando em 1019 questões todo o ensino espírita, quanto mais lemos a respeito da personalidade de Allan Kardec, mais o admiramos e vamos percebendo, a pouco e pouco, a grandiosidade dessa alma, verdadeiro Apóstolo do Senhor Jesus.

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