Tatuagens e Piercings – Opinião Espírita

tatuagem

No espiritismo nada se julga, tudo se entende e se esclarece. Assim um tema polêmico como a tatuagem sempre foi alvo dos mais ferrenhos debates dentro dos estudos doutrinários. Afinal é errado se tatuar? colocar vários piercings no corpo? seriam mutilações ou expressões artísticas? qual a visão espírita do assunto?

Bem, para iniciarmos devemos sempre lembra a posição de neutralidade que o espiritismo tem diante das escolhas. Estas são de cada um, e a ninguém cabe a autoridade moral de julgar. Dito isso, vejamos o que tem a nos dizer os Espíritos, pois que deles advêm o grande conhecimento acerca das leis divinas.

André Luiz elucida que o perispírito não é reflexo do corpo físico; este é que reflete a alma. “As lesões do corpo físico só terão, pois, repercussão no corpo espiritual se houver fixação mental do indivíduo diante do acontecido ou se o ato praticado estiver em desacordo com as leis que regem a vida.” (evolução em dois mundos, chico xavier e waldo vieira, Edição FEB) . Mas o que entender disso ? bem, como quase tudo na doutrina o ato em si tem gravidade ou não, valor ou não, dependendo principalmente da intensão pro detrás do gesto. Muitas vezes o significado e o intuito de tal atitude pode valorizar ou desmoralizar esta.

Partindo deste ponto inicial há de se passar pelo crivo da lógica como Allan kardec nos instruiu: A tatuagem não tem finalidade útil alguma, sendo portanto um ato primordialmente estético. Como atos estéticos, a intensão por detrás desta busca pode dizer se o ato em si é bom ou mal. Tatuar uma frase de um filósofo ou até mesmo uma frase espírita é um ato com nobre intensão, mesmo que sem nenhuma utilidade maior, porém um ato pensado por si com uma causa dita nobre, portanto, sem uma intensão negativa o ato não se torna negativo em si. Tatuar-se com caveiras, símbolos que remontem a sexualidade, preconceito ou sensações de baixa vibração são diretamente ligados a atitudes de mal gosto.

Tendo em vista isso, passemos agora para o lado perispiritual. O perispírito – um medianeiro entre o espírito e o corpo material – é carregado das impressões de ambas dimensões da vida. Se sentimos raiva, nosso perispírito é marcado com a mancha deste sentimento ruim o que causa angustias na alma e desequilíbrios no corpo somático, causando até mesmo doenças físicas. Portanto, a tatuagem ou o uso de piercings é um ataque ao perispírito visto que há lesão nas camadas da epiderme. Porém, esta lesão não é de caráter profundo e, portanto, a questão física em si não é o problema. Mais uma vez voltamos ao parágrafo anterior, onde a intensão e o que foi marcado que poderão dar a gravidade ou não do ato.

“Todo corpo físico merece respeito e cuidados, carinho e zelo contínuos, por ser a sede do Espírito, o santuário da vida em desenvolvimento.”

(Joana de Ângelis)

Outro fator a atentar é que a tatuagem pode ser uma insígnia que marcará o espírito e então se o que foi marcado era um simbolo com significado de mal gosto o seu espírito poderá ser marcado com este símbolo e atrairá a estirpe de espíritos condizentes com aquela significação. Se sua tatuagem remonta a demônios ou assombrações, seu espírito pode ser assolado por espíritos com vibrações condizentes com esta marca, tudo é claro dependendo de nossos sentimentos para agravar ou amenizar.

Segundo Divaldo Pereira Franco, pessoas que tatuam o corpo inteiro ou o enchem de piercings, são almas que ainda trazem reminiscências vivas de encarnações em épocas bárbaras, quando guerreiros sanguinários se utilizavam desses meios para se impor frente aos adversários. Essa afirmação, claro, não serve para todos os casos. Muitas vezes adolescentes que estão em época de formação de opinião fazem tatuagens por estar na moda, ou querendo expressar algum sentimento ou opinião. É um estado transitório mas que deve ser comedido e pensado de forma a não corromper seu perispírito de forma fútil e que possa causar arrependimentos posteriores.

Há casos de obsessões que levam pessoas a tatuar seus corpos, a fazerem mutações até ficarem com formas reptilianas ou animalescas. Estes casos raros podem significar desequilíbrio espiritual, pois que são a retomada de instintos mais primitivos do ser e a sua animalização pela aparência a fim de causar tremor, e desafiar as pessoas, uma rebeldia espiritual. Mas nem todos os casos são obsessões, na verdade, boa parte são nossa ansiedade em querer fazer algo, mas também em muitos casos por mera vontade de fazer um procedimento “estético” e de eternizar algum simbolo.

Que dizer de tatuagens do rosto de jesus ?, de frases de Chico Xavier ? seriam essas marcas espirituais algo de ruim? É claro que não! E mais : Será que uma marca física poderia se sobrepor às qualidades morais do ser ? Logicamente, não! Por isso devemos ter essa questão de estudo como mera curiosidade e esclarecimento, nunca como ponto principal e principalmente; nunca como foco de julgamento. O espiritismo não proíbe nada, apenas esclarece e deixa ao Livre-arbítrio de cada um o julgamento de si mesmo. O objeto deste estudo é somente a parte prática observada de alguns casos do ato de tatuar-se e da mutilação corporal.

Por trás dessas questões simplistas há sempre a questão moral. Porque as pessoas acabam se marcando, as vezes se mutilando, se modificando? seria as vezes por mero capricho ? outras por obsessão? noutras ainda um estado transitório evolutivo ainda preso a remanescências de encarnações mais selvagens ? Todas as perspectivas estão corretas, porém, cada caso um caso, não nos cabe julgar, lembrando que estamos todos numa escola e que nossas escolhas definem nossos aprendizados e destinos de luta.

Kardec nos leva ao auto-conhecimento, ao entendimento de si mesmo a fim de procurarmos nossas necessidades evolutivas e por isso mesmo fica claro que são escolhas oriundas do livre-arbítrio do espírito, o corpo é estado passageiro que reflete a alma do espírito e existem milhares de formas mais de mutilação da alma que não só a auto-flagelação mas até mesmo o desequilíbrio de emoções, portanto, o que é uma tatuagem marcando um perispírito quando muitos “tatuam” no perispírito símbolos de egoismo, de vingança, de ódio, de orgulho…

Não é a tatuagem, os piercings, ou qualquer fator físico que influenciará primordialmente na evolução do ser humano. Claro os exageros com o templo do corpo serão pagos, mas isso não se estabelece som com tatuagens mas também com excessos de toda sorte como alcoolismo, glutonismo, fumo, etc. O mais importante é o pensamento, o que atrai bons ou maus espíritos são nossas vibrações que emanam do ser, das suas atitudes e seus pensamentos. Por isso antes de tudo meus amigos, cuidem dos pensamentos, pois o corpo perfeito com pensamentos ruins é como Jesus via os fariseus, sepulcros caiados.

Apenas quando o homem for capaz de compreender que mais importante do que temos é o que SOMOS, essas questões não terão maior importância moral e meramente serão grandes reflexões científicas da doutrina. Se possuir uma tatuagem não se atenha a isso, foi uma escolha sua e só a ti cabe o entendimento disto, o foco deve ser sempre na reforma moral do ser integral, da sua melhoria com as virtudes e somente através do “conhece-te a ti mesmo” chegaremos a lograr exito em seguir os caminhos de Jesus na seara do bem, Muita paz!

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3 comentários sobre “Tatuagens e Piercings – Opinião Espírita

  1. Tatuagem é um tema polêmico, para espíritas ou não e mesmo sendo espírita penso ser mais confortável da minha parte, dar uma opinião sem influenciação religiosa nenhuma. O termo “para sempre” nos remete à escravidão, à submissão à uma pessoa ou coisa e não combina com a liberdade que todos queremos vivenciar. Quando se veste uma blusa listrada não quer dizer que, por gostarmos dela, precisemos andar com ela até que a morte nos separe. Por mais se goste de determinado colar, haverá um momento em que não suportaremos olhá-lo no espelho, porque nos cansamos de sua imagem. Podemos trocar de blusa ou de colar mas ficará muito difícil, doloroso e caro, ter que raspar de alguma parte do corpo, o nome da pessoa querida que não é mais querida.
    Tudo muda, se transforma e ainda bem que é assim, do contrário seríamos os bebês que éramos, engatinhando, dependentes dos outros para comer, se vestir e se limpar. Pessoas tatuadas não podem apagar do corpo, com facilidade, o que já não querem mais, vai doer na pele e no bolso se mudarem de ideia. Na verdade mudamos de ideia sempre, sobre isso ou aquilo, sobre gostarmos ou não de pessoas ou objetos mas se eles estão sobre a nossa pele, impregnados nela, fica difícil arrancar o que não representa mais nada em nossa vida. Quadros na parede podem ser trocados de lugar ou substituídos por outros, porém pinturas no corpo são para sempre e ninguém merece carregar o mesmo “quadro” pendurado no pescoço ou nas costas com a mesma paisagem, o mesmo animal ou a mesma frase. Nada mais belo do que a pele humana, negra, amarela ou branca, limpa e com a cor original, sem rabiscos, arabescos, frases, ícones e nomes que nem sempre gostaremos de ver grafados à ferro e fogo, nela. Bom é quando podemos enxergar, além da pele, o que está no coração de cada um, emoções e sentimentos sem mácula que nos permita considerar amigo ou irmão a criatura amada, mesmo que seu rosto esteja longe de nós e ainda que seu nome não esteja escrito em nosso peito.

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