Inferno e Fogo Eterno – Uma visão espírita das Penas eternas

penas eternas

Inferno é um termo usado por diferentes religiões, mitologias e filosofias, representando a morada dos mortos, ou lugar de grande sofrimento e de condenação. A origem do termo é latina: infernum, que significa “as profundezas” ou o “mundo inferior”. Em muitas religiões e crença, exclusivamente as de crença em vida única, nos trazem a ideia do sofrimento eterno das almas que não cumprirem com as leis de Deus. E para o espiritismo? existe tal coisa como um inferno ?

Segundo relatos de André Luiz, na obra Nosso Lar, existe uma zona próxima à terra onde os espíritos em sofrimento ou ligados ao mal se encontram: as zonas Umbralinas. Porém, é de conhecimento por meio destas obras que nenhum espírito fica em sofrimento eterno por este verdadeiro “inferno”. Ao arrepender-se e reencontrar Deus dentro de si, o espírito depura-se das vibrações negativas que traz consigo e assim pode desfrutar da recuperação espiritual.

Antes mesmo disso, Kardec pergunta aos espíritos em o livro dos espíritos, no capítulo II da quarta parte, quando interroga aos espíritos sobre o sofrimento eterno dos espíritos em débito:

1006. Poderão durar eternamente os sofrimentos do Espírito?
“Poderiam, se ele pudesse ser eternamente mau, isto é, se jamais se arrependesse e melhorasse, sofreria eternamente. Mas, Deus não criou seres tendo por destino permanecerem votados perpetuamente ao mal. Apenas os criou a todos simples e ignorantes, tendo todos, no entanto, que progredir em tempo mais ou menos longo, conforme decorrer da vontade de cada um. Mais ou menos tardia pode ser a vontade, do mesmo modo que há crianças mais ou menos precoces, porém, cedo ou tarde, ela aparece, por efeito da irresistível necessidade que o Espírito sente de sair da inferioridade e de se tornar feliz. Eminentemente sábia e magnânima é, pois, a lei que rege a duração das penas, porquanto subordina essa duração aos esforços do Espírito. Jamais o priva do seu livre-arbítrio: se deste faz ele mau uso, sofre as conseqüências.”
SÃO LUÍS

Com isso os espíritos nos trazem a ideia de que o nosso sofrimento é proporcional ao nosso orgulho em não reconhecer-se em erro, nossa prepotência em acreditar acima da lei divina e a nossa raiva pela ignorância diante da perfeita lei de Deus.

O livro dos espíritos ainda aborda mais detidamente o assunto e santo agostinho nos presenteia com esse maravilhoso trecho da resposta da pergunta 1009:

1009. Assim, as penas impostas jamais o são por toda a eternidade?
“Interrogai o vosso bom-senso, a vossa razão e perguntai-lhes se uma condenação perpétua, motivada por alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus. Que é, com efeito, a duração da vida, ainda quando de cem anos, em face da eternidade? Eternidade! Compreendeis bem esta palavra?
Sofrimentos, torturas sem-fim, sem esperanças, por causa de algumas faltas! O vosso juízo não repele semelhante ideia? Que os antigos tenham considerado o Senhor do Universo um Deus terrível, cioso e vingativo, concebe-se. Na ignorância em que se achavam, atribuíam à divindade as paixões dos homens. Esse, todavia, não é o Deus dos cristãos, que classifica como virtudes primordiais o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas. Poderia ele carecer das qualidades, cuja posse prescreve, como um dever, às suas criaturas? Não haverá contradição em se lhe atribuir a bondade infinita e a vingança também infinita? Dizeis que, acima de tudo, ele é justo e que o homem não lhe compreende a justiça. Mas, a justiça não exclui a bondade e ele não seria bom, se condenasse a eternas e horríveis penas a maioria das suas criaturas. Teria o direito de fazer da justiça uma obrigação para seus filhos, se lhes não desse meio de compreendê-la?
Aliás, no fazer que a duração das penas dependa dos esforços do culpado não está toda a sublimidade da justiça unida à bondade? Aí é que se encontra a verdade desta
sentença: ‘A cada um segundo as suas obras.’”
SANTO AGOSTINHO

Sem dúvidas com essa maravilhosa dissertação de santo agostinho ficamos deslumbrados ante a justiça divina. Temos, pois, entendido que o inferno à visão espírita é um contra-senso e que não passa de uma invenção humana para causar medo e controlar os impulsos perversos do ser humano e deixa-lo sobre controle da entidade clerical. Com o inferno crio-se as ideias de indulgência as quais calvino e lutéro procuraram a todo custo extinguir da igreja e da fé cristã. Atualmente ainda vemos algumas denominações religiosas barganharem a fé com o medo do inferno, tudo pois devido as necessidades de cada alma, cada ser tem uma necessidade para lhe animar a vontade de perseguir a melhora de si mesmo.

 Longe de julgar o espiritismo busca esclarecer através da razão e do bom-senso que o “inferno” nada mais é que uma consequência moral e mental do espírito que fere a lei de Deus e que nenhum sofrimento é eterno. Deus em sua infinita bondade e sabedoria não permitiria tal sofrimento. Aliás, qual o pai que, vendo seu filho sofrer e arrepender-se verdadeiramente não estenderia a mão e lhe buscaria confortar e auxiliar a reerguer-se? seria uma ideia no mínimo com falta de misericórdia de Deus.

Toda Criatura tem a centelha divina, uma parte das leis divinas que o criador mantém em cada um de nós. Uns a chamam de consciência ou bom-senso, empatia, noções de direito, seja como for, todos possuem no mais fundo amago do ser uma ideia de certo e errado. Não seria o inferno, esta ideia de certo e errado cobrando de si mesmo a falha cometida ? quantos dos que se comprazem com o mal ainda depois sofrem pelas más escolhas em vida ? sofrem consequências matérias e espirituais de seus atos ? quantos não se arrepende e acabam por sofrer ainda mais pela dor da consciência desperta?

Para buscar finalizar nosso pequeno estudo, deixemos que o Codificador nos elucide com suas maravilhosas palavras de entendimento da moral cristã, nos comentários finais do capítulo citado neste artigo, Kardec faz uma impecável resenha do que pensa a doutrina espírita sobre as penas eternas:

Com o atrativo de recompensas e temor de castigos, procura-se estimular o homem para o bem e desviá-lo do mal. Se esses castigos, porém, lhe são apresentados de forma que a sua razão se recuse a admiti-los, nenhuma influência terão sobre ele. Longe disso, rejeitará tudo: a forma e o fundo. Se, ao contrário, lhe apresentarem o futuro de maneira lógica, ele não o repelirá. O Espiritismo lhe dá essa explicação. A doutrina da eternidade das penas, em sentido absoluto, faz do Ente Supremo um Deus implacável. Seria lógico dizer-se, de um soberano, que é muito bom, muito magnânimo, muito indulgente, que só quer a felicidade dos que o cercam, mas que ao mesmo tempo é cioso, vingativo, de inflexível rigor e que pune com o castigo extremo as três quartas partes dos seus súditos, por uma ofensa, ou uma infração de suas leis, mesmo quando praticada pelos que não as conheciam? Não haveria aí contradição? Ora, pode Deus ser menos bom do que o seria um homem?
Outra contradição. Pois que Deus tudo sabe, sabia, ao criar uma alma, se esta viria a falir ou não. Ela, pois, desde a sua formação, foi destinada à desgraça eterna. Será isto possível, racional? Com a doutrina das penas relativas, tudo se justifica. Deus sabia, sem dúvida, que ela faliria, mas lhe deu meios de se instruir pela sua própria experiência, mediante suas próprias faltas. É necessário que expie seus erros, para melhor se firmar no bem, mas a porta da esperança não se lhe fecha para sempre e Deus faz que, dos esforços que ela empregue para o conseguir, dependa a sua redenção. Isto toda gente pode compreender e a mais meticulosa lógica pode admitir. Menos cépticos haveria, se deste ponto de vista fossem apresentadas as penas futuras.
Na linguagem vulgar, a palavra eterno é muitas vezes empregada figuradamente, para designar uma coisa de longa duração, cujo termo não se prevê, embora se saiba muito bem que esse termo existe. Dizemos, por exemplo, os gelos eternos das altas montanhas, dos pólos, embora saibamos, de um lado, que o mundo físico pode ter fim e, de outro lado, que o estado dessas regiões pode mudar pelo deslocamento normal do eixo da Terra, ou por um cataclismo. Assim, neste caso, o vocábulo — eterno não quer dizer perpétuo ao infinito, Quando sofremos de uma enfermidade duradoura, dizemos que o nosso mal é eterno. Que há, pois, de admirar em que Espíritos que sofrem há anos, há séculos, há milênios mesmo, assim também se exprimam? Não esqueçamos, principalmente, que, não lhes permitindo a sua inferioridade divisar o ponto extremo do caminho, creem que terão de sofrer sempre, o que lhes é uma punição.
Demais, a doutrina do fogo material, das fornalhas e das torturas, tomadas ao Tártaro do paganismo, está hoje completamente abandonada pela alta teologia e só nas escolas esses aterradores quadros alegóricos ainda são apresentados como verdades positivas, por alguns homens mais zelosos do que instruídos, que assim cometem grave erro, porquanto as imaginações juvenis, libertando-se dos terrores, poderão ir aumentar o número dos incrédulos. A Teologia reconhece hoje que a palavra fogo é usada figuradamente e que se deve entender como significando fogo moral (974). Os que têm acompanhado, como nós, as peripécias da vida e dos sofrimentos de além-túmulo, através das comunicações espíritas, hão podido convencer-se de que, por nada terem de material, eles não são menos pungentes.
Mesmo relativamente à duração, alguns teólogos começam a admiti-la no sentido restritivo acima indicado e pensam que, com efeito, a palavra eterno se pode referir às penas em si mesmas, como conseqüência de uma lei imutável, e não à sua aplicação a cada indivíduo. No dia em que a Religião admitir esta interpretação, assim como algumas outras também decorrentes do progresso das luzes, muitas ovelhas desgarradas reunirá.

Em resumo: Não existe inferno e Sofremos mais ou menos tempo, conforme nosso despertar da consciência para a lei divina. Com efeito, O espiritismo, mais uma vez, nos esclarece, ponto a ponto a sua grandiosidade enquanto revelação divina, estejamos sempre dispostos a conhecer mais de nós mesmos. A infinita bondade e sabedoria divina nos protegem e de Deus glorificam-se os homens de boa vontade.

Indicamos o estudo detalhado do capítulo citado no texto para fins de aprendizado e aprofundamento, muita paz meus irmãos!

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