Dacálogo para os Médiuns – Por André Luiz

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1 – Rende culto ao dever.
Não há fé construtiva onde falta respeito ao cumprimento das próprias obrigações.
2 – Trabalha espontaneamente.
A mediunidade é um arado divino que o óxido da preguiça enferruja e destrói.

3 – Não te creias maior ou menor.
Como as árvores frutíferas, espalhadas no solo, cada talento mediúnico tem a sua utilidade e a sua expressão.

4- Não esperas recompensas no mundo.
As dádivas do Senhor, como sejam o fulgor das estrelas e carícia da fonte, o lume da prece e a benção da coragem, não têm preço na Terra.

5 – Não centralizes a ação.
Todos os companheiros são chamados a cooperar, no conjunto das boas obras, a fim de que se elejam à posição de escolhidos para tarefas mais altas.

6 – Não te encarceres na dúvida.
Todo bem, muito antes de externar-se por intermédio desse ou daquele intérprete da verdade, procede, originariamente, de Deus.

7 – Estude sempre.
A luz do conhecimento armar-te-á o espírito contra as armadilhas da ignorância.

8 – Não te irrites.
Cultiva a caridade e a brandura, a compreensão e a tolerância, por os mensageiros do amor encontram dificuldade enorme para se exprimirem com segurança através de um coração conservado em vinagre.

9 – Desculpa incessantemente.
O ácido da crítica não te piora a realidade, a praga do elogio não te altera o modo justo de ser, e, ainda mesmo que te categorizem à conta de mistificador ou embusteiro, esquece a ofensa com que te espanquem o rosto, e, guardando o tesouro da consciência limpa, segue adiante, na certeza de que cada criatura percebe a vida do ponto de vista em que se coloca.

10 – Não temas perseguidores.
Lembra-te da humildade do Cristo e recorda que, ainda Ele, anjo em forma de homem, estava cercado de adversários gratuitos e de verdugos cruéis, quando escreveu na cruz, com suor e lágrimas, o divino poema da eterna ressurreição.

André Luiz Psicografia de Chico Xavier.

Sobre o Cap. XXVI – Item 7 do ESE(2)

In: Xavier, F. C; Vieira, Waldo. O Espírito da Verdade: Estudos e dissertações em torno de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” de Allan Kardec. 14 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003.

REFLEXÃO

A faculdade mediúnica é uma tarefa difícil, mas muito enobrecedora, pois se constitui uma prova de renúncia e amor ao semelhante, encarnado ou desencarnado.

Ela é encontrada em todo lugar, a qualquer hora, nas mais distintas classes sociais e religiões, mesmo que alguém não creia nisso.

Ela tem uma função coletiva, de consolo e esperança. Propicia encontros de entes queridos, que se despediram, após o desencarne de um, consolando os que ficaram e também o ser que se foi, pois não deve ser fácil para quem está VIVO no plano espiritual, observar seus familiares e amigos chorarem sua partida, como se nunca mais fossem se reencontrar.

Através dela jorram-se mensagens belíssimas de esclarecimento, alegria e reflexão. Curam-se feridas espirituais, quebram-se ciclos obsessivos e se oportuniza a vivência do perdão possibilitando a concretização da exortação do Cristo Jesus: Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho,(…).
(S. MATEUS, cap. V, vv. 25 e 26.).

Mas, como Chico Xavier certa vez disse, a ligação é de lá para cá. Por isso não deve ser utilizada como meio de sobrevivência, mas sim de elevação espiritual, da prática pura da caridade. Infelizes dos que a utilizam como profissão e pueris quem os procuram.
Esse trabalho, que deve ser caritativo, requer do médium uma disciplina e voluntariedade, pelo fato do conteúdo da mensagem mediúnica ser de um Espírito, que não é ele. Se ele recebe gratuitamente, deve retornar gratuitamente, como reza em S. MATEUS, cap. X, v. 8: Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido.

É importante observar que não é fácil ser tudo na vida e ainda por cima ser médium, pois o médium não é um ser evoluído, mas em evolução. Não falo por ser um, mas por conviver com uma, que eleva a mediunidade à categoria de um sacerdócio gratuito.

Assim mesmo os Espíritos Amigos exortam aos médiuns muito equilíbrio, e em particular no dia da reunião que eles se prestam a ser um instrumento da Espiritualidade Maior. Mas não só equilíbrio, também humildade e todas as virtudes que qualquer um deve desenvolver em sua trajetória reencarnatória.

Não devemos, apesar de muitas vezes fazer isso, cobrar de um médium, mais do que cobramos a nós mesmo, a sua reforma íntima.

Devemos sim, apoiá-lo, caso ele nos permita, nos momentos de crise consigo mesmo.
Encerro essa reflexão dizendo que nós somos todos médiuns, uns mais ostensivos, de missão, e outros que se prestam a intuição, quando se colocam como obreiro da Vida Maior, participando da divulgação dos esclarecimentos jorrados da espiritualidade através daqueles que missionariamente se prestaram para esse fim.

Deixo minha homenagem aos médiuns que na luta pela espiritualização do planeta estão na frente de batalha nos trabalhos mediúnicos, recebendo em primeira mão as orientações elevadas, passando a diante como algo que não é dele e/ou permitem que espíritos doentes se comuniquem. Na luta organizada pela Espiritualidade maior, entram em contato direto com aqueles acostumados tanto ao mal como ao bem. Quando em contato com os do mal, sofrem as dores dos que se comprazem nela, amenizando seus sofrimentos.

Que sejam benditos em nome do Senhor!

1 – LIVRO DOS MÉDIUNS, Cap. XIV, DOS MÉDIUNS, Item 159. Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. E de notar- se, além disso, que essa faculdade não se revela, da mesma maneira, em todos. Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas são as espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns sensitivos, ou impressionáveis; a dos audientes; a dos videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos escreventes, ou psicógrafos.

2 – EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Cap. XXVI, DAI GRATUITAMENTE O QUE GRATUITAMENTE RECEBESTES, Item 7. Os médiuns atuais – pois que também os apóstolos tinham mediunidade – igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos, para instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, não para lhes vender palavras que não lhes pertencem, a eles médiuns, visto que não são fruto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais. Deus quer que a luz chegue a todos; não quer que o mais pobre fique dela privado e possa dizer: não tenho fé, porque não a pude pagar; não tive o consolo de receber os encorajamentos e os testemunhos de afeição dos que pranteio, porque sou pobre. Tal a razão por que a mediunidade não constitui privilégio e se encontra por toda parte. Fazê-la paga seria, pois, desviá-la do seu providencial objetivo.

 

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