Fora da Caridade não há salvação

CARIDADE

A máxima do espiritismo nunca foi tão propagada nos meios de comunicação espirita como tem sido feito atualmente. Diariamente vemos o aumento do número de obras sociais, instituições de caridade – espíritas ou não – de projetos de doações material, de trabalhos voluntários de toda sorte. Afinal o Cristo desde sempre nos chamou para o trabalho na seara do bem, desde os seus 12 apóstolos que seriam o seu evangelho vivo a se propagar e a trazer à humanidade a sublime lição de amor e de serviço ao próximo em conformidade com as leis divinas.

Por isso, espíritas que somos, devemos sempre estar com o coração intimamente ligado com a caridade e a benevolência, Indulgentes às imperfeições alheias. Não nos tomaremos de ódio ou de rancores, nem de contendas sem fim edificante. Estaremos sempre à rigor do cumprimento disciplinado e sereno da caridade, seja em doações materiais e – principalmente – de doações emocionais : um sorriso, um abraço, uma palavra amiga…

O evangelho segundo o espiritismo nos fala da benevolência e da caridade como no trecho abaixo transcrito:

[…]Caridade! Sublime palavra que sintetiza todas as virtudes, és tu que hás de conduzir os povos à felicidade. Praticando-te, criarão eles para si infinitos gozos no futuro e, quando se acharem exilados na Terra, tu lhes serás a consolação, o prelibar das alegrias de que fruirão mais tarde, quando se encontrarem reunidos no seio do Deus de amor. Foste tu, virtude divina, que me proporcionaste os únicos momentos de satisfação de que gozei na Terra. Que os meus irmãos encarnados creiam na palavra do amigo que lhes fala, dizendo-lhes: “É na caridade que deveis procurar a paz do coração, o contentamento da alma, o remédio para as aflições da vida.” Oh! quando estiverdes a ponto de acusar a Deus, lançai um olhar para baixo de vós; vede que de misérias a aliviar, que de pobres crianças sem família, que de velhos sem qualquer mão amiga que os ampare e lhes feche os olhos quando a morte os reclame! Quanto bem a fazer! Oh! não vos queixeis; ao contrário, agradecei a Deus e prodigalizai a mancheias a vossa simpatia, o vosso amor, o vosso dinheiro por todos os que, deserdados dos bens desse mundo, enlanguescem na dor e no insulamento! Colhereis nesse mundo bem doces alegrias e, mais tarde… só Deus o sabe!… – Adolfo, bispo de Argel. (Bordeaux, 1861.)

(Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.XIII , item 11)

Neste trecho o espírito Adolfo de Argel nos exalta os princípios sublimes da caridade. Suas elevadas diretrizes e seus efeitos benéficos para a alma daquele que a pratica. Sabemos por meio de muitos testemunhos de espíritos que a caridade salva não somente o assistido como também aquele que assiste ao irmão necessitado.

A caridade real que Jesus nos ensinou consiste em agir com boa vontade e bondade no auxílio de outros irmãos mais necessitados tanto materialmente  quanto espiritualmente. Não é necessário para praticar da caridade nenhum atributo especial. Não precisamos ser ricos, ou dispormos de tempo de sobra. Muitos culpam a falta de tempo como motivo para não praticar a caridade mas já pararam para pensar que a caridade que podes aplicar pode ser um simples gesto? Um bom dia ao porteiro que pode estar precisando de um sorriso para melhorar dos seus problemas que carrega, ou ceder o seu lugar no transporte público a alguém que nitidamente está precisando de auxílio. O chamado para a prática do bem vem nos momentos em que menos esperamos e nestas horas que precisamos estar vigilantes para que possamos servir a Deus nos seus desígnios justos e perfeitos.

Meus amigos, a muitos dentre vós tenho ouvido dizer: Como hei de fazer caridade, se amiúde nem mesmo do necessário disponho?

Amigos, de mil maneiras se faz a caridade. Podeis fazê-la por pensamentos, por palavras e por ações. Por  pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem se acharem sequer em condições de ver a luz. Uma prece feita de coração os alivia. Por palavras, dando aos vossos companheiros de todos os dias alguns bons conselhos, dizendo aos que o desespero, as privações azedaram o ânimo e levaram a blasfemar do nome do Altíssimo: “Eu era como sois; sofria, sentia-me desgraçado, mas acreditei no Espiritismo e, vede, agora sou feliz.”

(Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII , item 10)

Na duvida de como proceder sobre a caridade basta nos perguntarmos “o que eu gostaria que me fosse feito se eu estivesse nesta situação?” talvez a resposta possa nos surpreender e nos trazer a tona uma importante reflexão e um divino aprendizado. A caridade nos traz a humildade, a aceitação e a noção das bençãos que possuímos frente a irmãos tão menos afortunados na atual existência.

É através da benevolência para com o próximo que podemos chegar também a reforma íntima – a mudança interior de nossas atitudes e nossos atos – a fim de alcançarmos uma melhoria moral de nosso espírito. Doenças, perda de entes queridos, dependência química, fome e todo tipo de misérias humanas. É nos deparando com situações difíceis e vendo irmãos que passam por isso sem deixar de sorrir e de ter esperança que percebemos o quanto devemos ser gratos por nossa vida ter mais oportunidades.

Sede bons e caridosos: essa a chave dos céus, chave que tendes em vossas mãos. Toda a eterna felicidade se contém neste preceito: “Amai-vos uns aos outros.”

(Evangelho segundo o espiritismo Cap. XIII, item 12)

A caridade sincera e anonima é a prova de que o Cristo vive em nós. Não devemos buscar reconhecimento ao sermos caridosos, apenas esperemos de nós o que DEVEMOS ser e dos outros a cada conforme a sua semeadura.

Dá sem exigirdes nada em troca. Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa
mão direita.

[…]A caridade moral consiste em se suportarem umas às outras as criaturas e é o que menos fazeis nesse mundo inferior, onde vos achais, por agora, encarnados. Grande mérito há, crede-me, em um homem saber calar-se, deixando fale outro mais tolo do que ele. É um gênero de caridade isso. Saber ser surdo quando uma palavra zombeteira se escapa de uma boca habituada a escarnecer; não ver o sorriso de desdém com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se supõem acima de vós, quando na vida espírita, a única real, estão, não raro, muito abaixo, constitui merecimento, não do ponto de vista da humildade, mas do da caridade, porquanto não dar atenção ao mau proceder de outrem é caridade moral.[…]

(Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII , item 9)

Muitas vezes poderemos encontrar precalços no caminho do bem porém o servo fiel do divino mestre sempre anda a sorrir o sorriso dos justos, o caminhar suave pois nele já se instaurou o reino de Deus porque – de forma otimista e com muita convicção – nele repercute a máxima :

Fora da caridade não há salvação! Muita paz!

Fonte: E.S.E Cap.XIII

4 comentários sobre “Fora da Caridade não há salvação

  1. CONSCIÊNCIA
    Façamos bastante silêncio interior para ouvirmos a voz da consciência.
    Não provoquemos “ruídos” deliberados, a fim de não escutarmos seus apelos.
    Sendo a presença de Deus em nós, a consciência sempre nos adverte para o que é certo ou errado.
    Ninguém, portanto, pode dizer-se sem orientação pessoal para o caminho.
    Algumas pessoas ignoram a voz da consciência por estimarem se comprazer no mal.
    Não querem ouvi-la para terem, depois, como se justificar, quando chamados pela Vida ao inevitável acerto de contas.
    Quanto mais o homem se espiritualiza, mais se lhe torna audível e clara essa voz interior.
    O remorso é a voz da consciência ouvida tardiamente.
    Quando consultada, a voz da consciência não se faz esperar e nem dá margem a dúbias interpretações.
    Quem passa por cima de sua consciência, compromete-se ainda mais perante as Leis que regem a Vida.
    Não nos esqueçamos de que, quando procurarmos conversar com Deus através da oração, é pela voz da consciência que Deus nos responde.
    Livro: Lições da Vida
    De: Irmão José (Espírito)
    Por: Carlos A. Baccelli
    Cap. 32. – 7a. Edição, nov/2010.
    Editora DIDIER

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  2. oi Felipe. Estou gostando muito dos textos que publica. Sao um reforco das aulas e estudos que temos feito. Sao também uma palavra amiga e sabia nos momentos de dificuldade. Muito grata! Continue escrevendo e espalhando a luz divina. bjs

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  3. Fora da Caridade não há salvação, por isso devemos estendê-la também à todas as espécies, não apenas a espécie humana, nem sempre racional e muito longe ainda, de superior. Caridade, quando não aprisionamos em uma gaiola o passarinho nascido para voar, escolhendo onde pousar, o que comer e com quem conversar; quando não visitamos Zoos, compactuando com a prisão de animais arrancados à força de seu habitat, para ser os prisioneiros que nossos filhos pedem para ver, ingenuamente acreditando que são felizes ali, onde choram de saudade de sua floresta e céu azul; não deixemos fora da Caridade o cão de rua, abandonado e triste, perebento e sub nutrido que um dia teve um tutor idoso e foi amado por ele, mas despejado de casa quando o velhinho morreu. Caridade também para os animais que sofrem atingidos por flechas, balas, arpões, anzóis e armadilhas, por humanos sem Caridade, sem Compaixão e, pelo menos por enquanto, sem perspectiva de salvação, porque a Caridade de Deus para conosco está totalmente associada à nossa caridade para com TODOS, sem exceção de nenhum.

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